sexta-feira, 15 de março de 2019

A depressão é uma doença de vibração e frequência, ela sobe e desce em questão de segundos. O sorriso sempre estará presente, ele nos alimenta e nos ajuda a esconder o que sentimos, o que doe no fundo do fundo daquilo que chamamos de ser. Ela doe na alma, lá na fagulha divina que incêndia o sentir, nos deixando mais loucos do que ja somos. A depressão não é loucura, a loucura aqui é vicio de linguagem para expressa o que é viver com depressão.
São os fatos e situações do cotidiano que presenciamos e sentimos que nos maltratam e nos machucam. Doe mais ainda quando as outras pessoas: amigas e familiares acham que você esta nessa porque quer, porque não tem o que fazer e prefere ser depressivo. As situações e problemas micro e macro nas esferas familiares e políticas, as desigualdades de gênero e raciais, as ausências de estruturas sociais que cuidem das pessoas que mais precisam, são fatores que alteram e influênciam nossos estados depressivos.
Não estamos nessa porque queremos, fomos inseridos nessa onda, estamos no fluxo da vida que pulsa com suas frequências de amor e dor. Cada pessoa é livre para escolher suas dores? Nós somos livres de quer? De quem? As pessoas com depressão não querem morrer, querem viver!
Não temos medo da morte, morremos todos os dias. Morre-se a cada segundo que deixamos de fazer algo, nas noites mal dormidas em que ficamos devaneando sobre o viver, morremos com os casos mal resolvidos, com as intolerâncias sofridas, morremos nos inumeros sistemas de exclusão e exterminio do povo. Sentimos muito e talves por isso essa pressão maior na cabeça, nos ombros, nas mãos quando querem fazer algo e não conseguem, sentimos muito pelas palavras e verbos ditos e não ditos, sentimos pelas malditas e malditos.
Não tenha pena de quem tem depressão. Não tenha pena de você. Não tenha pena de ninguém. Faça das suas penas, asas para compartilhar voos e descobertas. Faz um tempo que me reconheci uma pessoa depressiva, e falar/escrever isso não é facil. Ninguem quer ser fraco, e quando falamos das nossas fraquezas e dores parece que a gente fica menor, mas não, somos tão grandes quanto o universo que habitamos e que nos habita, independente das forças e fraquezas.

Precisamos respeitar os tempos e as dores, as tristezas e conquistas, os avanços e as paradas, as construções e desconstruções de cada ser, de cada pessoa. Não precisamos caminhar ao mesmo tempo e nem ao mesmo lado, precisamos só nos olhar, sentir e perceber que você sou eu, e que você é eu. E que somos um. E que nesse um, alguns convivem com suas crises, sejam elas financeiras, sentimentais ou depressivas.

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